1º de maio

Quando alguém que você ama sofre a primeira coisa que te ocorre é querer trocar de lugar. Não digo que o mundo todo seja assim tão altruísta, mas somos todos revestidos de uma força imensa quando impotentes assistimos a dor de quem amamos. Foi essa força que impediu minha mãe de chorar enquanto segurava a perna dilacerada do meu irmão no último 1º de maio, foi a mesma força que fez meu pai, sempre tão duro, chorar como criança do lado de fora do hospital para que o menino não percebesse a possível gravidade da situação e foi a mesmíssima força que me fez orar em pé durante as 3 horas de cirurgia.

Sim, cada um tem sua forma de lidar com a dor alheia. Ao ver o filho partindo para o centro cirúrgico minha mãe desabou no meu ombro e chorou muito porque ele estava bem, mas podia não estar. Meu pai passou o tempo todo chorando baixinho, pra que a gente não percebesse toda a culpa que ele sentia por não ter dinheiro pra bancar a gente, por ter que deixar seus filhos trabalhar.

Mas tem uma casta de pessoas que não sabe o que fazer quando o outro sofre, que foge como rato, que fica paralisada. Essas pessoas de quem falo são incapazes de demonstrar qualquer compaixão pelos sentimentos alheios, não sabem segurar na mão do próximo, nem que seja realmente muito próximo, não sabem chorar com o outro e nem se compadecer... o que mais me preocupa é que talvez também não saibam sorrir. Eu não falo de gente ruim, como políticos ou celebridades que podem financeiramente ajudar a prender na Caixa de Pandora algumas das mazelas da vida, mas falo de gente comum, como eu e você, mas que talvez por falta do que dizer não consiga também abraçar... não possa por um minuto dedicar um olhar sincero a olhos angustiados. Talvez seja só medo de que assim vejam sua própria angústia.

Então, agora que as coisas já se acalmaram e a esperança virou certeza de que tudo ficará bem, eu proponho uma campanha pra ensinar esses pobres infelizes a amar. Eu, que sempre levantei a bandeira de que amor não se aprende, desejo fazer entender a todos quantos puderem me ouvir que, embora exista amar sozinho, não existe amor se não for compartilhado. É necessário que todos entendam que existem inúmeras formas de amar e inúmeras demonstrações de amor, mas que não se pode dizer que é amor se você não puder externa-lo, seja por medo, fraqueza ou timidez. E a campanha começa hoje, em mim mesma, que não pude perceber o desesperado apelo de um amigo, que comentou comigo um aniversário muito triste e eu, insensível e tola que sou, não estive ao seu lado, segurando suas mãos, tentando mostrar que eu me importo. Eu não pude ajudar.
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
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